Por causa do MySQL

A história começou em 2008 quando a Sun, de olho no mercado de banco de dados avaliado em US$ 15 bi, comprou o MySQl. Foram pagos 800 milhões de dólares em dinheiro e mais 200 milhões de dólares em troca de ações.

Mas a crise mundial fez os negócios e novos investimentos cessarem e a Sun passou a procurar um comprador enquanto o preço de suas ações despencavam. A IBM se recusava a pagar os 7 bilhões que os acionistas queriam e o negócio paralizado. A esperança era a Sun enfraquecer mais e capitular diante das péssimas condições de mercado.

A Oracle surge do nada e oferece pouco mais de 7 bilhões de dólares, uma rasteira na IBM, e anuncia ao mundo a aquisição da Sun. O governo americano aceita o negócio, mas a União Européia levanta questões sobre concorrência, concentração de mercado e o futuro do MySQL. A suspeita é que a Oracle não irá cumprir a promessa de desenvolver o MySQL e usá-lo apenas para vender o seu produto principal, Oracle Database. Outra suspeita é que o produto será deixado de lado e os consumidores não teriam uma opção. Sabemos que não é verdade, o PostgreSQL é a prova.

Obviamente, a Sun esperava que o negócio fosse aprovado rápido e como isso não aconteceu, vai demitir mais 3000 pessoas, 10% da sua força de trabalho. Essa óbvia perda de talentos faz com que a concorrência, IBM principalmente, aproveite para levar a maior quantidade de clientes possível e com bastante sucesso.

E agora?

É óbvio que um SGBD como o MySQL não pode ficar não mão de programadores de fins de semana. Precisa de uma empresa com recursos financeiros para realizar os invesmentos necessários para a melhoria contínua.

Durante a Oracle Open World, a mensagem foi clara: Sun e Oracle estão juntas. Se o MySQL é o problema, ele provavelmente será descartado através de alguns possíveis cenários:

– MySQL vendido por uma pechincha para uma empresa qualquer de fundo de quintal. Pouco provável.

– Saída Red Hat: MySQL passa a ser um projeto totalmente livre apoiado pela comunidade com uma versão “Oracle MySQL” para empresas.

– MySQL é vendido para um parceiro ou empresa que precisa completar seu leque de produtos. Google, por exemplo, seria uma empresa óbvia. A HP é outra que poderia se beneficiar da venda de servidores otimizados com MySQL.

– Oracle desiste do negócio.

O futuro do MySQL agora é muito mais incerto. As preocupações da UE são válidas, acredito eu, mas eles não oferecem uma solução. A Sun precisa da Oracle, fato. O Exadata 2 foi inclusive otimizado para o softwares da empresa. A perda de talentos e clientes pode deixar a Sun em uma situação insustentável. As opiniões estão divididas e obviamente muitos defensores de software livre gostaram na notícia, outros nem tanto.

Em números de faturamento, o MySQL é pífio, com faturamento de 70 milhões de dólares por ano. Mas ele concentra praticamente metade dos websites, blogs e sistemas de controle de conteúdo da web.

Autoridades européias tem até o dia 19 de Janeiro para bater o martelo, mas se dizem abertos a negociar.

Fonte: Ricardo Bicalho – MeioBit –  http://meiobit.com/meio-bit/ind-stria/ue-n-o-aprova-compra-da-sun-pela-oracle